Crítica | Ilha do Medo

A colaboração entre o diretor Martin Scorcese e Leonardo DiCaprio tem rendido bons filmes, dentre os quais Ilha do Medo é o novo exemplo. Suspense inteligente, dono de uma atmosfera de penumbra e aflição evocadas na fotografia de Robert Richardson e na trilha sonora, o roteiro apresenta DiCaprio como Teddy Daniels, um policial federal que, ao lado de seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo), investiga o desaparecimento de uma paciente do instituto de tratamento psiquiátrico dirigido pelo Dr. Cawley (Ben Kingsley), na ilha do título.

A direção de Martin Scorcese investe em flashbacks – sonhos e alucinações também – que ajudam a estabelecer Teddy Daniels, além de funcionar como válvula de escape da angústia em que estamos imersos. Além disso, Scorcese tem momentos de pura genialidade: no momento intimista com a esposa de Teddy que, decorado com uma chuva de cinzas, faz bom uso de efeitos especiais para apresentá-la dissipando-se em suas braços; a execução de soldados nazistas em um curto plano sequência brilhantemente coreografado; ou na cena da Ala C em que, usando apenas fósforos, Teddy se comunica com um prisioneiro vivido por Jackie Earle Haley (excepcional, diga-se de passagem).

Criando ambientes claustrofóbicos e perturbadores, a direção de arte também marca com sutileza o escritório do Dr. Cawley, repleto de elementos remetendo a excentricidade daquele indivíduo.

Já Leonardo DiCaprio novamente tem uma atuação primorosa, vivendo um homem traumatizado. Sem esconder certo ódio por estar buscando nos corredores da instituição o suposto assassino de sua mulher, DiCaprio também pontua muito bem as crises de enxaqueca do indivíduo nas mãos trêmulas e no olhar inquieto. Ele está acompanhado por um bom elenco com Mark Ruffalo, Ben Kingsley e o e Max von Sydow, que vive um psiquiatra ao estilo nazista.

Investindo em uma conclusão surpreendente e sobretudo repleta de elementos que a tornam ainda mais elegante, Ilha do Medo, corajosamente mantém o espectador em dúvida até o último momento acerca das ações de Teddy Daniels, na forma de uma simples pergunta “vale mais a pena viver como um monstro ou morrer como um homem bom”.

Avaliação: 5 estrelas em 5.

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