Crítica | Lembranças

Emoções pré-fabricadas são o que o cinema tem a oferecer ao espectador. A efetividade destas, porém, é diretamente proporcional ao grau de identificação com o protagonista. Em Lembranças, Tyler (Robert Pattinson) não se contentando em ser só antipático, é também irresponsável, ofensivo e cruel. Não culpem o niilismo ou justifiquem como a reação de um jovem diante do suicídio de seu irmão, que o roteiro desmente ao nos apresentar Ally (Emilie de Ravin), que perdeu sua mãe assassinada no metrô, diante de seus olhos quando era apenas uma garota, e não se tornou um esteriótipo ambulante. Evitarei comparar traumas, em particular a perda de um ente querido, mas isto é suficiente para ilustrar ou a má composição de personagem de Pattinson ou a necessidade do roteiro de Will Fetters de empurrar goela abaixo uma trajetória de redenção.

Desenvolvendo personagens clichês e situações embaraçosas, o roteiro de Will Fetters é ainda ofensivo, como durante a revolta de Taylor, obrigando-o a interferir em uma briga apenas para bancar o herói (e destruir a cara do seu oponente) e depois confrontar o policial Neil (Chris Cooper). Resultado: cadeia. Em seguida, temos o recurso de melhores-amigos apostando quem conquista da mocinha. E piora quando Taylor insiste que não quer conhecer Ally – e ele o faz dizendo “não!” meia dúzia de vezes – para em seguida estar se apresentando a ela. Piff!!

O diretor Allen Coulter sequer sabe se esta dirigindo uma comédia-romântica ou um drama. No primeiro caso, tem-se os momentos algodão-doce de Taylor e Ally e as intervenções (nem um pouco) engraçadas de seu melhor amigo. No outro aspecto, tem-se os dramas de perda e os conflitos pais-filhos. A indecisão acerca do tom narrativo é tão grave que quando Eugene Levy aparece em cena, não sabia se ele estava no elenco ou se era erro na projeção – no caso, segundos após, a cena corta para mostrar trechos de American Pie que estreou em 1999, não em 2001, prova do descaso e imprecisão da narrativa.

Desperdiçando nomes como Chris Cooper, Pierce Brosnan e Lena Olin, o elenco aposta em Robert Pattinson que, embora não exiba as deficiências de interpretação da saga Crepúsculo, falha ao compor Taylor como alguém que oscila demais, ora gritando e gesticulando ora exibindo serenidade no relacionamento com a irmã – cujo papel, no final das contas, é apenas de humanizar seu irmão.

Até aí, Lembranças era somente um enlatado medíocre, que se torna ofensivo e reprovável ao investir em uma tragédia mundial para embalar um mísero drama/romance rasteiro e superficial.

Avaliação: 1 estrela em 5.

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2 Comments on “Crítica | Lembranças”

  1. Uso excessivo de trilha sonora. Como se o roteiro e atores, por si só, fossem incapazes de transmitir emoções. Filme do qual Alssyson Oliveira classifica como "mais interessado em mostrar sua surpresa final do que construir personagens e uma trama mais consistente. "

  2. Realmente Rakel, se eu fosse o diretor provavelmente apelaria para recursos diversos, a trilha sonora por exemplo, a fim de maquear as péssimas atuações deste longa.

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