Festivais | Varilux de Cinema Francês (Dia 4)

07) Xeque-Mate (Joueuse, França, 2009). Direção: Caroline Bottaro. Roteiro: Caroline Bottaro. Elenco: Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Valérie Lagrande, Jennifer Beals. Duração: 97 minutos. Cotação: 3 estrelas em 5).

A simbologia do xadrez na vida de Hélène é evidente e exposta exaustivamente pela diretora Caroline Bottaro: subjetivamente, o esporte representa o véu intelectual e emocional que separa as dificuldades financeiras e um casamento sem a paixão e intensidade de antes de uma vida repleta de possibilidades, de amor próprio e de superação dos obstáculos impostos pela vida, pelo casamento precoce e mudança para uma cidade distante de Paris. Não por menos, o primeiro contato da camareira Hélène com o esporte é justamente enquanto testemunha uma casal jogando apaixonadamente.

Mais ainda, aprender que a Dama é a “peça mais forte do jogo” soa como uma afronta à Hélène, aprisionada em uma vida sem sorrisos e rotineira, sistematicamente elogiada pela chefe, ignorada sexualmente pelo marido e desrespeitada pela filha. Até aí, Xeque-Mate funciona às mil maravilhas, ainda que as múltiplas representações de tabuleiros pareçam exageradas – a toalha da mesa de jantar de um restaurante italiano, a pia onde estão dispostas os cosméticos e mesmo o piso do terraço do hotel.

Transformando-se em uma verdadeira obsessão na vida daquela mulher, o xadrez acaba funcionando mais como a perda dos sentidos da realidade do que necessariamente um grito de liberdade; os atrasos no trabalho são cada vez mais constantes, o desleixo em casa é notório e até o marido é chamado de corno na cidade.

A entrada de Kroger (Kevin Kline, bem humano), um homem recluso e permanentemente em luto pela morte da esposa transforma a narrativa em uma espécie de “Xadrez Kid“. Ademais, o enfoque repetitivo nos jogos, culminando em um torneio, e chegando ao ápice de dispensar até o tabuleiro em um jogo pessoal entre mestre e aprendiz, prejudica o ritmo narrativo, comprometendo os bons esforços até então, especialmente na construção de Hélène.

Pena, porque apesar do trabalho de Sandrine Bonnaire estar longe do excepcional, a narrativa era muito mais interessante nas entrelinhas.

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