Crítica | Cilada.com


Cilada.com (Brasil, 2011). Diretor: José Alvarenga Jr. Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão. Elenco: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Carol Castro, Fúlvio Stefanini, Serjão Loroza. Duração: 99 minutos. Cotação: 2 estrelas em 5.

Flertando com o humor de folhetins televisivos da Globo e subjugando o cinema aos vícios e estilos de programas como Zorra Total, Cilada.com é um desperdício organizado como uma grande comédia de esquetes. Nela, acompanhamos as desventuras de Bruno depois que a sua transa infeliz, divulgada pela namorada traída Fernanda, caí no YouTube e se torna um grande vídeo viral. Ridicularizado por onde anda, Bruno busca de todas as formas superar os 15 minutos de fama e provar o seu valor como macho sexualmente ativo, mas apenas consegue se embaraçar como Jim de American Pie costumava fazer.

Batizar esta comédia de Se Transar, não Grave não seria um equívoco, pois a narrativa tem muito mais humor laxante, escatológico e ofensivo da continuação da lucrativa franquia norte-americana do que da minissérie homônima do Multishow. Ou seja, ao invés de ser engraçado, tem que haver uma mensagem (machista, por sinal) de que a mulher brasileira pode se sujeitar às maiores humilhações desde que no final do dia escute do seu companheiro um simples Eu te amo.

A cada encontro surge uma trilha sonora melosa e a hesitação de Bruno em dizer as palavrinhas mágicas debaixo do olhar pidão de Fernanda, mais bonita e agradável do que o sujeito, que praticamente implora por reconciliação. Mal conduzido por José Alvarenga Jr., que até acerta na ressaca pós-casamento, a premissa da narrativa se satisfaz com piadas não tão engraçadas como “terminar rapidinho”, “entrar e sair” ou um talk show a respeito dos problemas sexuais de Bruno.

Também não é difícil enxergar que as situações que Bruno se mete têm pouco ou nada a ver com a situação inicial além do desejo do rapaz em se provar um garanhão em rede nacional. Para isso, ele conta com um dos personagens mais chatos do ano no cinema, o “diretor” Marconha (Sérgio Loroza), um caso perdido na fala recheada de gírias, na auto-indulgência e no apreço ao politicamente incorreto. Mas, em comparação com o amigo do protagonista (amigo é eufemismo), cujas frases encerram sempre com algum estrangeirismo, ele é o menor dos problemas.

Falta timing cômico ao diretor, estendendo ou encurtando (a sombra projetada no casamento é finalizada precipitadamente) as melhores cenas de humor do longa, e provocando efeitos diversos em matéria de risos. Previsível, é fácil descobrir o gancho da piada e o orgasmo que se passa durante um jogo de futebol só poderia acontecer durante o grito de Gol.

Ao menos, Bruno Mazzeo herdou a veia cômica do pai Chico Anysio, incorporando o ar de seriedade e incredulidade necessários para potencializar a situação vivenciada. Além disso, o ator é expressivo protagonizando cenas de humor físico graças a atitude quase nonsense, como quando toma dois comprimidos de um potente anti-depressivo. Menos feliz é a participação de Fernanda Paes Leme que não consegue mascarar a artificialidade de uma personagem unidimensional ou a de Carol Castro, e quem imaginaria que ela teria odores bucais.

Mas há quem ache engraçado uma piada, repetida pelo menos 10 vezes, na qual Bruno sorve o aroma de um vinho ou o cheiro de flores para fugir do mau hálito de sua interlocutora. Ou então quem gargalhe no pesadelo de uma reunião de auto ajuda para homens que sofrem de ejaculação precoce. prefiro meu humor servido de uma maneira mais refinada, como na rápida aparição de uma campanha de laxante (“Agora vai!”) e na capacidade de Mazzeo de se embaraçar sem perder a compostura.

Com humor derivado e piadas de mau gosto, Cilada.com é o equivalente a uma ejaculação precoce: uma filme cujo orgasmo acaba muito antes do que se esperava.

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