De 10 a 20 de setembro, acontecerá a 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto — o festival agora qualifica para o Oscar, e o cinema brasileiro já tem candidato.
Vicentina Pede Desculpas, novo longa do mineiro Gabriel Martins, é o único filme brasileiro na seleção oficial da 51ª edição do TIFF. Ele concorre ao prêmio da seção Plataforma, a ser entregue no dia 20 de setembro por um júri internacional presidido pelo cineasta argentino Pablo Trapero. É o retorno de Gabriel aos festivais internacionais, quatro anos depois de Marte Um — exibido no Sundance em 2022.
Vicentina (Rejane Faria) é uma professora aposentada de 75 anos cujo filho, motorista de ônibus, morre em um acidente no viaduto em Belo Horizonte. Quando as imagens das câmeras levantam a suspeita de que ele teria agido de propósito, ela sai à procura das famílias das vítimas para pedir desculpas.

Rejane Faria dá vida à Vicentina. A atriz renova sua parceria com Gabriel Martins construída em Marte UM. (Imagem: Divulgação)
TIFF e as novas regras do jogo
Fundado em 1976 como “Festival dos Festivais”, o evento virou a principal janela do cinema mundial na América do Norte justamente por não decidir primordialmente por júri. Seu prêmio máximo, o People’s Choice Award, é escolhido pelo voto de quem compra ingresso. Espera-se repetir o público de 760 mil pessoas da edição passada, diante de 293 títulos neste ano.
E funciona como termômetro da temporada de premiações. Vinte e dois vencedores do Prêmio do Público já foram indicados a Melhor Filme da Academia — este ano, Hamnet virou o vigésimo terceiro. A razão é menos mística do que parece: em 2009, o Oscar ampliou a categoria de cinco para até dez indicados, alargando o alvo. E o filme que a plateia de Toronto escolhe chega com uma validação do público que já vale venda e distribuição — o que, convenhamos, é boa parte do que a Academia costuma premiar.
Composto por diversas seções distintas, o festival tem apenas uma competitiva: a Plataforma. Criada em 2015, seu objetivo é destacar filmes com forte visão artística e autoral. Seguindo as novas regras da Academia, o vencedor ganha elegibilidade direta ao Oscar de Melhor Filme Internacional — desde que seja majoritariamente falado em outra língua que não o inglês, condição que Vicentina cumpre. É um caminho aberto para apenas seis festivais no mundo: Cannes, Veneza, Berlim, Sundance, Busan e Toronto.
O longa já está entre os 15 títulos pré-selecionados para disputar a indicação oficial da Academia Brasileira de Cinema na mesma categoria. Produzido pela Filmes de Plástico em parceria com a Netflix, estreia mundialmente no TIFF em 12 de setembro e posteriormente será distribuído para mais de 190 países.
Dentro desse contexto, o representante brasileiro chega à competitiva do TIFF com destaque: distribuição global fechada e um lugar na fila da indicação nacional. O que falta são os vereditos do júri e do público. Ambos serão anunciados em 20 de setembro.
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Crítica de cinema e produtora cultural. Brasileira radicada na Flórida, cobre festivais como correspondente internacional do Cinema com Crítica. Co-apresenta o podcast Análise Obsessiva desde 2024, programa e conduz o Cineclube Caipirinha e assina a curadoria da edição de Orlando do Los Angeles Brazilian Film Festival.




1 comentário em “Novo longa de Gabriel Martins traça a rota para o Oscar representando o Brasil em Toronto”
Ansioso pela cobertura! De antemão, parabéns pra Karla e Márcio! Será lindo!