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Crítica | Atraídos pelo Crime

O gênero policial pós-1997 deve demais a Los Angeles: Cidade Proibida: naquele mundo glamourizado, policiais eram estrelas e a tênue linha que separava mocinhos e bandidos poderia ser facilmente transposta. Diferente desse filme, Atraídos pelo Crime apresenta uma face de Nova York suja, perigosa, banhada na criminalidade e sem redenção, consequência essencial de ser a metrópole do mundo. Em linhas gerais, o roteiro acompanha os eventos subsequentes à morte de um jovem estudante negro por um policial.

Usando esse trágico incidente para elaborar um estudo de personagem sobre três policiais, “os melhores do Brooklyn”, e não para buscar resolver o mistério (inexistente) do assassinato, o roteiro da produção tem como protagonista Sal (Ethan Hawke), um policial competente, mas despreocupado com a taxa de natalidade de sua família (já são 5 filhos e a mulher está grávida de gêmeos). A fim de sustentar a sua família, Sal rouba o dinheiro da droga e considera-se sem redenção, o que permite que a direção de Antoine Fuqua invista em um contra-plongé, parecida como se fosse a visão dos céus daquele homem.

Já Eddie (Richard Gere) é o clichê do veterano policial na expectativa de se aposentar. No entanto, Gere, um ator de limitações óbvias, traz ao papel algo fundamental: a expressão cansada de quem já viu coisas demais. Sem ter se destacado na polícia – ele permanece na mesma função em que ingressou – Eddie é apenas um distintivo e reconhecer a sua insignificância é o que o leva a tomar certas ações no terceiro ato.

Finalmente, Tango (Don Cheadle, excelente) é um policial infiltrado em uma gangue do tráfico e tem a sua lealdade questionada pela polícia quando evita armar uma emboscada contra Caz (Wesley Snipes), traficante que salvou sua vida. Mas, em uma má decisão do roteiro, o assassinato no final do segundo ato, impede que Tango seja melhor explorado.

Abundante em clichês policiais, a narrativa é parcialmente bem sucedida graças à qualidade das atuações. Porém, mesmo que seus protagonistas ajam de forma cruel, muitas das vezes eles têm amparo humano seja na família de Sal ou nos valores de Tango, o que acaba pintando em preto e branco um mundo recheado de tonalidades cinzas.

E se Fuqua conhece o bê-a-bá do gênero, ele falha ao conceber um final dependente de muitas coincidências que só não funciona como anti-clímax pelo impacto dramático que ele provoca. Recriando uma selva de homens que fazem tudo em noma da lei que criaram para suas vidas, Atraídos pelo Crime é um retrato inconveniente e satisfatório de uma Nova York pintada no vermelho do sangue inocente derramado e nas luzes das sirenes das viaturas policiais.

Avaliação: 3 estrelas em 5.

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