Nesta análise, destrincho Justiça Artificial (Mercy) com olhar rigoroso: não apenas como ficção científica, mas como obra que fala de sociedade e ideologia. O filme de Timur Bekmambetov propõe um futuro em que uma inteligência artificial, a juíza Maddox, decide sentenças com base em dados, e um policial acusado de matar a própria esposa tem apenas 90 minutos para provar sua inocência diante dessa “justiça perfeita”.
Apesar de tenso e instigante em alguns momentos, o filme é repleto de incoerências e mau-caratismo narrativo a IA emula emoções humanas sem motivo claro, minando a própria lógica do seu projeto. A direção usa um “thriller imersivo” para mascarar falhas de argumento e contradições internas. E o protagonista, um policial com comportamentos abusivos, é narrativamente tratado de forma que chega a passar pano para atitudes problemáticas, o que compromete o debate que o filme poderia propor sobre violência e justiça. O filme falha ao não discutir como a tecnologia reflete a desumanização da sociedade, optando por entretenimento em vez de crítica.
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Crítico de cinema filiado a Critics Choice Association, à Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Online Film Critics Society e a Fipresci. Atuou no júri da 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/SP, do 12º Fest Aruana em João Pessoa/PB, do 24º Tallinn Black Nights Film na Estônia, do 47º TIFF – Festival Internacional de Cinema em Toronto. Ministrante do Laboratório de Crítica Cinematográfica na 1ª Mostra Internacional de Cinema em São Luís (MA) e Professor Convidado do Curso Técnico em Cinema do Instituto Estadual do Maranhão (IEMA), na disciplina Crítica Cinematográfica. Concluiu o curso de Filmmaking da New York Film Academy, no Rio de Janeiro (RJ) em 2013. Participou como co-autor dos livros 100 melhores filmes brasileiros (Letramento, 2016), Documentário brasileiro: 100 filmes essenciais (Letramento, 2017) e Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais (Letramento, 2018). Criou o Cinema com Crítica em fevereiro de 2010 e o Clube do Crítico em junho de 2020.



