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O Canal Brasil comemora 28 anos com um presente para vocês

Canal Brasil apresenta uma maratona de documentários sobre a memória da cultura brasileira

Como construir uma memória cultural? Não existe uma maneira. Algumas passam pelos livros, outras por arquivos, museus, fotografias ou relatos daqueles que viveram determinado momento e transformaram-no. O cinema acrescenta uma camada poderosa, porque não só registra a realidade em película ou digital, mas remonta lembranças, preserva vozes e permite que personagens da cultura brasileira continuem existindo diante de novas gerações. Essa relação entre cinema e memória é o ponto de partida da maratona preparada pelo Canal Brasil para celebrar o aniversário de 28 anos, que serão completados no próximo dia 18 de setembro.

Iniciada no sábado, 12 de setembro, a partir das 7h30, a programação reúne 9 documentários produzidos em parceria ou coproduzidos pelo Canal Brasil, dedicados a peças-chave da cultura brasileira. A seleção percorre música, fotografia, televisão, teatro, carnaval, cinema e contracultura, formando, mais do que uma sequência de filmes, um inventário audiovisual de artistas que pensaram, construíram, até mesmo desconstruíram imaginários do Brasil.

Olho Nu (2014), de Joel Pizzini, é o pontapé da maratona. Ao acompanhar Ney Matogrosso por meio de arquivos, sons e memórias do próprio artista, o filme recusa a cinebiografia convencional e procura o homem por trás da personagem. O documentário não pretende domesticar um personagem que tem uma trajetória marcada pela liberdade estética e política, mas refletir como a imagem de Ney foi construída e como ela continua sendo um instrumento de enfrentamento das convenções.

Revelando Sebastião Salgado (2012), de Betse De Paula, acompanha o saudoso fotógrafo a partir de horas de entrevistas ou imagens que percorrem sua trajetória desde a infância até a consagração internacional. A fotografia, nesse caso, deixa de ser apenas o resultado de um trabalho artístico para se tornar uma maneira de compreender o olhar de quem fotografa. Conhecer Sebastião Salgado significa, portanto, conhecer os caminhos que levaram à construção de uma das imagens mais reconhecíveis da fotografia brasileira.

A música popular brasileira aparece em diferentes momentos da programação. Por exemplo, Fevereiros (2019), de Marcio Debellian, é o retrato de Maria Bethânia a partir de sua participação no desfile da Mangueira de 2016, até sua relação com as celebrações de Nossa Senhora da Purificação, em Santo Amaro, aproximando Rio de Janeiro e Bahia. O documentário trabalha algumas tensões que parecem contraditórias embora coexistam na vida e carreira de Bethânia. Candomblé e catolicismo, sexualidade e religião, sagrado e profano etc.

Depois, Mussum, Um Filme do Cacildis (2019), de Susanna Lira, revisita a arte e memória de Antônio Carlos Bernardes Gomes além do personagem que o Brasil amou em Os Trapalhões. Imagens de arquivo, entrevistas com o próprio Mussum, e depoimentos de amigos e familiares revelam qual a distância entre homem e artista. Além disto, a vida familiar, os relacionamentos amorosos, os filhos e o racismo ajudam a construir um retrato mais complexo de uma figura cuja persona pública obscureceu o indivíduo por trás dela.

A recuperação de personagens histórias está também em Divinas Divas (2017), a estreia de Leandra Leal na direção. O filme resgata a primeira geração de artistas travestis a conquistar espaço na cena cultural carioca e reúne nomes como Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K., Fujika de Halliday, Eloína, Marquesa e Brigitte de Búzios. Leandra – que é uma das artistas do audiovisual que mais admiro -reconstrói uma história de resistência cultural que atravessa as transformações da sociedade brasileira e encontra no palco um espaço de liberdade em tempos de repressão.

A maratona ainda inclui: Othelo, o Grande (2024), de Lucas H. Rossi Dos Santos, a biografia de Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, ator negro, mineiro e um dos maiores comediantes da história do Brasil. Andança – Os Encontros e As Memórias de Beth Carvalho (2022), de Pedro Bronz, que parte do arquivo pessoal mantido pela própria cantora para construir um retrato de seus 53 anos de carreira. Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos (2023), de Daniela Broitman, que mescla histórias, memórias e comentários sobre o processo criativo do cantor e compositor, com algumas performances improvisadas de músicas como “Quem Vem pra Beira do Mar” e “Marina”. E finalmente, Loki – Arnaldo Baptista (2009), de Paulo Henrique Fontenelle, documentário que revisita a trajetória de um dos personagens fundamentais do rock brasileiro.

A seleção reúne 9 personagens, 9 maneiras de encontrá-los por trás do cinema e 9 formas de conservar a história da arte brasileira e a sua memória através do gênero documental.

Maratona Canal Brasil 28 Anos

Sábado, 12 de setembro, a partir das 7h30

7h30 — Olho Nu (2014)
Direção: Joel Pizzini | 105 min | 12 anos

9h15 — Revelando Sebastião Salgado (2012)
Direção: Betse De Paula | 74 min | Livre

10h35 — Fevereiros (2019)
Direção: Marcio Debellian | 73 min | Livre

11h55 — Mussum, Um Filme do Cacildis (2019)
Direção: Susanna Lira | 75 min | 10 anos

13h15 — Divinas Divas (2017)
Direção: Leandra Leal | 110 min | 14 anos

15h05 — Othelo, o Grande (2024)
Direção: Lucas H. Rossi Dos Santos | 82 min | 12 anos

16h30 — Andança – Os Encontros e As Memórias de Beth Carvalho (2022)
Direção: Pedro Bronz | 110 min | Livre

18h25 — Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos (2023)
Direção: Daniela Broitman | 92 min | Livre

20h — Loki – Arnaldo Baptista (2009)
Direção: Paulo Henrique Fontenelle | 122 min | Livre

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