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Bate Papo com Marçal Vianna, Cineasta Vencedor do Prêmio de Melhor Roteiro da Mostra de Curtas da Baixada no 2º Festival de Cinema de Xerém.

 O cineasta iguaçuano Marçal Vianna (Imagem: Divulgação)

Ex-aluno da EBAV – Escola Brasileira de Audiovisual, Marçal Vianna já carrega no currículo a passagem por festivais e cineclubes com seus curtas Neguinho e Deus Não Deixa. Na primeira edição do Festival de Cinema de Xerém, Marçal colaborou junto à produção do evento. Esse ano ele retorna como colaborador e como realizador. Dessa vez, além da experiência, ainda leva para casa o cobiçado Troféu Zeca Pagodinho na categoria de Melhor Roteiro da Mostra de Curtas da Baixada, por Paçoca.

Paçoca é uma sátira à última eleição presidencial brasileira recontada sobre o microcosmo das eleições de representante de turma de uma escola particular da Baixada Fluminense. No filme, Aisha Jambo interpreta uma mãe que luta por legitimar a eleição de seu filho que é contestada pela mãe do filho do prefeito.

Após a premiação, tivemos um bate papo com o cineasta recém premiado:

A.G.: Marçal, você já é uma figura conhecida nos festivais do Rio de Janeiro e do Brasil. E você também é um aluno, uma cria da EBAV.

M.V.: Sou, sou sim!

A.G.: Como é que é sair daqui, além de trabalhando cansado (risos), mas carregando um Zeca Pagodinho pra você, pra botar na sua estante?

M.V.: Ah, eu fico muito feliz, assim, de estar desses dois lados. Eu acho que quando a gente trabalha com cinema, a gente tem que se mover, né? Tem que se mover, tem que fazer acontecer as coisas. E eu gosto desse lado da criação, da produção. Então eu fico muito feliz de ter sido aluno aqui da EBAV. Eu fiz dois cursos aqui. Eu fiz o curso de produção e de atuação. Eu realmente amei. Foi um período incrível da minha vida. E eu fico muito feliz e também agradecido de o Sérgio ter me trazido aqui para esse festival porque eu estive aqui na edição passada, estou aqui nessa edição trabalhando e ganhei esse prêmio.

Então, assim, eu fico realmente muito feliz e realizado, não só de filmar na Baixada, mas também de trazer um festival aqui para a Baixada. Porque eu acredito que a gente não faz filme para ficar na gaveta. Eu faço filme para as pessoas assistirem. Então toda oportunidade que tem de eu passar um filme no festival, eu vou lá, estou passando. Às vezes um professor pede para passar um filme, pede link para mim e eu passo. E passar aqui na Baixada, em casa, com a galera que eu conheço, que me ajudou a chegar até aqui… Eu tive aula de roteiro na EBAV e, então, estou ganhando um prêmio de roteiro aqui. É muito simbólico e especial, eu fico muito feliz!

A.G.: E quais são os próximos planos? Tem algum filme aí na manga?

M.V.: Tenho, tenho… Na verdade, eu tenho quatro filmes! Eu tenho quatro filmes gravados que eu preciso finalizar. Em algum momento vai rolar! Então, ano que vem já pode ser que eu volte aqui. E eu tenho um para gravar também. Então, assim, eu estou muito feliz.

E isso tudo só está acontecendo graças a essas leis de incentivo que estão rolando agora, o que eu acho muito importante falar disso, da gente ter a chance de criar, da gente ter a chance de trabalhar com o cinema de fato, que é algo que por muitos anos foi negado para todas as pessoas da minha região. As pessoas da minha família, quando eu falei que queria fazer cinema: “Nossa, mas aí você vai morrer de fome”, sabe? E hoje eu tô aqui ganhando prêmio. Vivo da minha arte, do meu trabalho. Então, muito obrigado por esse espaço. Eu tô muito feliz e realizado aqui hoje.

A.G.: E você trabalha mais com curta, certo? Você possui vários curtas lançados.  

M.V.: Sim. Sim, verdade. Sim, sim.

A.G.: E qual a importância em dar visibilidade a esse formato, que acaba tendo pouca visibilidade da mídia, principalmente?

M.V.: Olha, eu acho que o curta é um formato muito especial, porque é um formato que faz você se encontrar como artista. Você está experimentando a sua linguagem. Você está se conhecendo como cineasta, como artista, como criador. Eu acho que o curta-metragem é um desafio, porque você contar uma história numa minutagem muito pequena é um desafio muito grande. Ainda mais para mim, que gosto de fazer texto verborrágico. Gosto de fazer filme para ator. Então, sempre é um grande desafio.

E eu acredito muito que o curta-metragem deve ser valorizado, sim. Porque, em vários momentos, ele é muito útil e especial. Por exemplo, numa linguagem de passar ele para um filme na escola. As crianças ficam muito mais atentas quando assistem um curta-metragem. E é isso também. Eu acredito que você está se testando e se conhecendo, se preparando para um longa, né? Que é o passo que eu também quero dar um dia e tomara que dê tudo certo até lá (risos).

A.G.:  Muito obrigado, parabéns pelo seu sucesso e até o ano que vem.

M.V.:  Ah, que isso! Até o ano que vem!

A.G.: E até o próximo Zeca!

M.V.:  Ah, sim, com certeza, olha. Porque melhor do que um Zeca, são dois! Então até o ano que vem!

 A.G.:  E quando perguntarem onde é que tá o seu Zeca: “Tá do lado outro”.

M.V.:  Isso aí! Ó, Vou fazer minhas essas palavras. Ano que vem eu quero falar isso aqui! Muito obrigado!

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